domingo, 19 de novembro de 2017

TIA, TÔ COM FOME.

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Caetano Veloso

Estamos enfrentando tempos difíceis, de intolerância, radicalismos, violência extremamente e incivilidades.
Incêndios de ônibus, ataques a índios, chacinas, linchamentos e outros crimes selvagens, já se tornaram comuns, cotidianos.
Falhamos como pessoas e o País, como nação.
Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil reduziu em 82,1% o número pessoas subalimentadas no período de 2002 a 2014. A queda é a maior registrada entre as seis nações mais populosas do mundo, e também é superior a média da América Latina, que foi de 43,1%.
Os dados são do relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), apontou ainda que o Brasil alcançou as metas estabelecidas pelas Nações Unidas em relação à fome nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O Programa Bolsa Família e as ações de segurança alimentar desenvolvidas pelo governo brasileiro foram citadas pela relatório como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou.
Talvez me acusem de Petralha, que eu vá morar em Cuba, mas fora as paixões políticas, o que vivenciamos hoje, é a volta alarmante da FOME.
Com isso, no Brasil apenas 5% da população estava sem se alimentar o suficiente.



Quando li a notícia que um menino de oito anos, desmaiou de fome na escola, bem perto de Brasília, fiquei estarrecido.
Esse brasileiro de oito anos, mora no Paranoá Parque, um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida. Como não há colégio público no local, as 250 crianças do condomínio percorrem 30 quilômetros, todos os dias, para frequentarem a escola.
Saem de casa por volta das 11h em transporte escolar e as aulas começam às 13h e muitos não conseguem almoçar, diante da precariedade de suas famílias.
Como as aulas começam pela tarde, não há oferecimento de almoço, a merenda é composta por biscoito e suco, na maioria das vezes, no recreio às 15:30h.
Esse brasileiro, quando desmaiou na escola, de imediato a sua Professora chamou o SAMU, quando chegou e fez o atendimento, viu que era fome, e nem o agente acostumado a atender situações difíceis resistiu, chorou ao ver tal quadro.
Após recobrar os sentidos, a criança que desmaiou em sala de aula contou aos médicos do Samu qual tinha sido a última refeição: um prato de mingau de fubá, comido no dia anterior.
Qual futuro teremos, com esse presente devastador e desumano?
O que importa é o MERCADO estar satisfeito.
Ainda ousamos falar em meritocracia no Brasil, como esse brasileiro de oito dias pode competir de forma igual com os nossos filhos?


O presidente Michel Temer (PMDB) em outubro/2016 ofereceu um jantar para mais de 200 parlamentares. O objetivo dera garantir apoio e quórum para a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos públicos, que acabou sendo aprovada com 366 votos favoráveis na noite desta segunda-feira.
De acordo com estimativas de buffets de Brasília consultados por EXAME.com, para organizar o jantar, o governo federal desembolsou pelo menos R$ 50 mil.
Segundo informações do cerimonial, o jantar que aconteceu no Palácio do Planalto reuniu 281 convidados: 217 parlamentares, 33 ministros e assessores especiais e 31 esposas de congressistas. Temer estava acompanhado da primeira-dama, Marcela Temer.
O cardápio contava com salada com molho agridoce, risoto de shitake, filé ao molho madeira, salmão grelhado, legumes ao vapor e pene com tomate seco. Na sobremesa, as opções também eram variadas: frutas, pudim de tapioca e goiabada com queijo.
Para beber, além de água e refrigerante, foram servidos Chadornnay Casa Vadulga e o vinho Norton Cabernet Sauvignon.
Buffets consultados pela reportagem avaliaram que o gasto do governo com o jantar deve ter variado entre R$ 180 e R$ 200 por pessoa. Ou seja, o valor total desembolsado seria entre R$ 50,9 mil e R$ 56,6 mil.
Entre uma taça de vinho e outra, após um belo pedaço de salmão grelhado, nosso Presidente finalizou: Estamos cortando na carne.
Esse Brasileiro de oito anos, provavelmente nunca degustará um cabernet sauvignon, mas já sabe bem o que é cortar na carne.
Os números do orçamento da União esclarecem como e por que estamos voltando ao mapa da fome. De janeiro a junho de 2016 foram pagos R$ 43 milhões para aquisição de alimentos; no mesmo período em 2017 foram somente R$ 5 milhões de reais.
A proposta de orçamento para 2018, propõe muitos cortes previstos que terão um impacto direto no agravamento da situação de pobreza. A redução de 92% das verbas do programa de cisternas no semiárido e de 99% dos recursos voltados para a aquisição de alimentos da agricultura familiar para distribuição em áreas mais carentes, vão levam à situação de fome.
O economista Francisco Menezes, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e consultor da ActionAid Brasil, alertou que que o País pode estar prestes a voltar para o Mapa da Fome da ONU, disse ele: A fome está muito associada à pobreza extrema e a situação do desemprego se agravou muito. Não só pelo fato de termos 14 milhões de desempregados, mas pelo fato de as populações mais pobres serem as mais prejudicadas. Além disso, o governo cortou R$ 1,1 milhão em benefícios do Bolsa Família, sob a alegação de irregularidades. Num quadro de desemprego, esse nível de redução agrava a situação social.
Não só estamos voltando a idade média em relação aos valores, mas na miséria, na fome, na pobreza e na desatenção com as nossas crianças.
Para esse Brasileiro de oito anos, só resta essa frase dita a sua professora: TIA, TÔ COM FOME.





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