quinta-feira, 28 de agosto de 2014

População cria campanha por paz em Belém


"O império da lei há de chegar no coração do Pará". Apesar de ser dirigido aos problemas causados por confrontos que ocorrem no interior do estado, o verso, presente na música "O império da lei", de Caetano Veloso, pode ser também associado à atual situação da capital paraense.

Acidentes, discussões, assaltos, tráfico, brigas, assassinatos... De uns meses para cá, o quadro de violência em Belém parece ter se agravado. Sair de casa passou a ser um grande desafio. Voltar, um alívio.

Nesse quadro de insegurança, que está longe de ser apenas uma "sensação", mas sim uma certeza, ninguém está, de fato, protegido: os riscos estão em cada esquina, cruzamento, restaurante, posto de gasolina, avenida, farmácias, pontos de ônibus, dentro dos coletivos. Refém dessas circunstâncias, na última terça-feira (26), parte da população da capital paraense começou nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, uma campanha que pede paz.

Com a sugestiva e significativa hashtag "SOS Belém", os belenenses passaram a pedir socorro. A campanha também pede luto por todas as vítimas que perderam a vida em acidentes e crimes e que ajudaram a aumentar as estatísticas de insegurança na cidade. Apesar de não ter completado nem 48 horas, o movimento já conta com centenas de seguidores e compartilhamentos. No instagram, um perfil criado nesta manhã já conta com quase 1500 seguidores. A expectativa é que o número de envolvidos siga crescendo.

"Amo Belém, cidade em que nasci e fui criado, onde 90% de todo mundo que eu amo se encontra, chega de tratar com descaso vidas humanas! As autoridades públicas precisam efetivamente garantir segurança pra quem de fato mantém a máquina pública funcionando, o cidadão que paga imposto!", desabafou o paraense Reinaldo Arraes pelo Facebook. O sentimento de tristeza, impotência, medo e revolta também é acompanhado por milhares de pessoas.

Enquanto o império da lei não chega a todo o Pará, o movimento #SOSBelem, que por enquanto está restrito às redes sociais, não descarta a realização de passeatas e caminhadas reivindicando mais tranquilidade. Sem um líder específico, é muito mais um clamor por paz e segurança que o início de uma série de atividades que cobrem melhorias não somente na Grande Belém, como no estado.

(Enderson Oliveira/DOL)

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