domingo, 25 de novembro de 2012

Crimes viram rotina no campus da UFPA

Edição de 25/11/2012 - Amazônia Jornal

Espaços abertos e mal iluminados criam armadilhas para estudantes

Bruna Lima - Da Redação

A falta de segurança particular, a facilidade de entrada, a precariedade do ônibus circular e a iluminação precária são apenas alguns dos fatores que compõem a extensa lista de problemas que vêm deixando alunos, professores e funcionários da Universidade Federal do Pará (UFPA) reféns da ação dos bandidos dentro da cidade universitária, no Guamá. Para quem estuda à noite, os perigos são ainda mais evidentes.
Nayrana Cabral, 26, cursa Geografia na UFPA e é afirma ter medo até de ir ao banheiro. "A gente fica sabendo de várias histórias que já aconteceram aqui, até casos de estupro dentro dos banheiros e áreas escuras. A universidade é uma área extensa, tem muitos pontos sem iluminação alguma ou mal iluminados e, além de tudo, qualquer pessoa pode entrar. Por isso, os alunos da noite acabam se sentido reféns aqui dentro. Por exemplo, eu não entro no banheiro sozinha e só ando em grupo por aqui", contou a estudante.
Nayrana tem uma amiga que foi assaltada e agredida pelo criminoso quando estava a caminho do terminal rodoviário da universidade. "Foi horrível o que aconteceu com ela, o bandido além de roubar o que ela levava ainda agrediu a menina, ela ficou traumatizada", completou a estudante.
Nos turnos matutino e vespertino, as maiores ocorrências são de furtos. Eduardo Martins faz parte da vigilância do campus do Guamá e diz que os "oportunistas" são os que mais atuam nesse período do dia. "É muito comum os estudantes deixarem seus objetos em algum lugar para fazer alguma coisa e encontrarem o local ‘limpo’ na volta", disse o vigilante. No primeiro semestre deste ano, vários carros estacionados dentro da universidade foram arrombados por um bandido, que levava tudo o que podia carregar. O número de casos registrados foi tamanho que várias fotografias com o rosto do bandido foram espalhadas pelo campus, uma maneira de alertar os estudantes. A imagem foi obtida pelo circuito de segurança da instituição e resultou na prisão em flagrante do criminoso.
"O homem usava uma chave-mestra para entrar nos veículos e furtar objetos de valor guardados neles, mas como nós da segurança já estávamos atentos, ele acabou sendo preso", explicou o vigilante.

Segurança nos Campi será tema de seminário
A segurança nas cidades universitárias será um dos temas do XXI Seminário Nacional de Segurança nas Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES), que ocorre de 26 de novembro a 1º de dezembro na Universidade Federal do Pará (UFPA). Um dos coordenadores, Francisco Lima, assessor de segurança da instituição, explica que o objetivo do evento é discutir a segurança a partir da especificidade e da operacionalidade de cada instituição.
O evento conta com a participação de aproximadamente 400 pessoas entre servidores, docentes, discentes e representantes da comunidade. Durante os seis dias de programação, o coordenador do seminário informou que serão ministradas palestras sobre as dificuldades enfrentadas pelos vigilantes para conter a violência no campus. "Nós vamos tratar das dificuldades que enfrentamos diariamente dentro das cidades universitárias. Essa é uma discussão muito importante antes da conclusão do projeto nacional de segurança das Instituições Públicas de Ensino Superior, que já está em fase final", explicou Francisco Lima.
Apesar de ainda ter várias ocorrências dentro da UFPA - que recebe em torno de 45 mil pessoas diariamente - Francisco afirma que a UFPA já avançou com relação aos investimentos em infraestrutura. "Desde a gestão passada, muito coisa mudou por aqui. Foram feitos investimentos tanto em pessoal, capacitação, quanto em materiais de trabalho para garantir a segurança dos frequentadores. Na gestão atual, muito mais recursos foram destinados à segurança e isso começa a aparecer", acrescentou.
Atualmente, o setor de segurança da UFPA possui quatro viaturas, que fazem rondas por toda a universidade. O campus é monitorado por 32 câmeras externas, além das câmeras internas de cada instituto e os alarmes. Francisco Lima disse que há mais de dois anos não são registrados furtos de veículos, prática que chegou a ser comum no campus. Houve diminuição também nas ocorrências de furtos.

Mudança de hábitos é fundamental para escapar dos bandidos
Para Francisco Lima, a redução dos casos de violência dentro da UFPA também é reflexo da conscientização das pessoas. "Além dos investimentos em segurança, é preciso que as pessoas atentem para o que é segurança. Por exemplo, hoje as pessoas tomam alguns cuidados ao andar por aqui e esses cuidados inibem a ação dos criminosos. O debate é importante, é saudável por que atingem todos os que passam pelo local. Todos precisam estar dispostos a colaborar", comentou Francisco.
O evento reunirá bombeiros, policiais federais, civis e militares em palestras sobre o tema. Ao final do encontro será elaborada a carta federal do Pará, com objetivo de ampliar regras básicas para todo o território nacional, por meio do projeto de segurança nacional das Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES). O documento irá respeitar as especificidades da realidade de cada região, mas conterá regras comuns para todo o Brasil.

Câmeras registram Tráfico, roubo e até sexo
No setor de segurança funciona o departamento de monitoramento da universidade, onde um grupo de funcionários observa o tráfego de pessoas e veículos no campus. O sistema funciona 24 horas. Quando observada alguma situação fora do comum, os vigilantes são acionados para fazer a abordagem.
Além dos roubos e furtos, alguns funcionários já presenciaram cenas inusitadas, como alunos fazendo sexo "no meio do caminho" dos colegas.
Marcio Lopes, que trabalha há quatro anos no setor, conta que as cenas de sexo não são incomuns. "Diante desses casos nós acionamos imediatamente a equipe de vigilância e eles fazem o procedimento de abordagem, que em alguns casos é constrangedor", disse o técnico.
Ele relata ainda que a área conhecida como "Vadião" já se transformou em "point" para os casais, que fazem sexo no local a qualquer hora do dia. "Além de acompanhar cenas de roubo, de comercialização e consumo de drogas, a gente também vê cenas constrangedoras. Já presenciamos vários casais que estavam fazendo sexo dentro do carro, já vimos também fora do carro", acrescentou o funcionário do monitoramento.
No início desse mês, a equipe de monitoramento presenciou uma quadrilha de assaltantes que abandonou um veículo, provavelmente roubado, na frente do segundo portão da universidade. Três homens e uma mulher deixaram o veículo em frente à universidade e fugiram para a área de invasão do Tucunduba, no Guamá.
A imagem dos prováveis assaltantes foram encaminhadas para o serviço de inteligência do setor de segurança e, em seguida, repassadas para a Polícia Civil, responsável pela investigação. "Nesses casos nós enviamos as imagens para a polícia investigar", acrescentou Marcio.

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