terça-feira, 22 de maio de 2012

GREVE DOS PROFESSORES - INEVITÁVEL

Ingressei no curso de direito da UFPA como professor, por concurso público em março/1993, sonho acalentado desde o dia que me formei nesta instituição, que amo e dedico o máximo possível do meu tempo.
Minha carga horária é de 20 horas, pois tenho uma outra colocação no serviço público e nunca me engajei no movimento docente, em que pese ter tido militância no movimento estudantil e depois de formado no movimento sindical.
Mas é hora de mudar, mudar para melhorar, para crescer e ver florescer a esperança de um mundo melhor.
Não é compreensível que um professor universitário, com pós-graduação receba salário inferior aos demais que integram o serviço público, até mesmos em cargos de nível fundamental e médio.
Nosso trabalho não se resume a sala de aula, aliás esse é o menor tempo, preparamos as aulas, corrigimos provas e trabalhos, participamos de bancas de concurso, comissões e orientamos trabalhos de conclusão de curso, tarefas que superam em muito a nossa carga horária.
Os professores do curso de direito em sua maioria sempre foram distantes do movimento associativo, quer por ideologia, quer por não dependerem financeiramente da docência, são advogados, promotores, procuradores, magistrados ou estão em outro campo do serviço público ou privado.
Como juiz do trabalho, aplico o entendimento que o recurso da grave é legítimo, cabendo a categoria iniciar e decidir o seu início, o que foi feito.
Os docentes da UFPA deliberam em sua esmagadora maioria iniciar mais um movimento de paralisação e desta vei estarei aderindo.
Não se pode conceber uma Nação justa e que se pretende civilizada, avançada culturalmente, desprezar os que formam seu povo.
Além da questão salarial, temos graves problemas estruturais, não temos condições básicas para lecionar, pesquisar e formar cidadãos, profissionais sérios e éticos.
Assim, comuniquei as minhas Turmas, que após refletir bastante sobre a questão, aderi ao movimento de paralisação aprovado pelos professores da UFPA a partir de 17/05/2012.
Sei que esta atitude pode causar transtornos aos nossos alunos, mas ela é inevitável, pois nós que zelamos pelo Estado de Direito e pelas garantias sociais e políticas, não podemos ficar omissos e inertes ao descaso e ao sucatamento imposto aos docentes e as instituições federais públicas e gratuitas de ensino superior no Brasil.

Professor Carlos Zahlouth Júnior
Instituto de Ciências Jurídicas - ICJ
Universidade Federal do Pará - UFPA

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