quinta-feira, 29 de março de 2012

Millôr Fernandes

* “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.
* Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.
* Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem.
* Atenção cidadãos, na próxima eleição não deixe de votar. A corrupção precisa de você.
* Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder.
* As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades.
* A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.
* Melhor do que dar ao companheiro um peixe é lhe dar um caniço e ensiná-lo a usar o cartão corporativo.
* Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado.
* A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho.
* Nem só comer e coçar é questão de começar. Viver também.
* O melhor do sexo antes do casamento é que depois você não precisa se casar
* Repito um velho conselho, cada vez mais válido, sobretudo pro Congresso: Quando alguém gritar - Pega ladrão, finge que não é com você
* Tudo na vida tem uma utilidade - se não fosse o mau cheiro quem inventaria o perfume?
* Só louco rasga dinheiro? Bobagem. Nem louco rasga dinheiro. Experimente jogar uma nota de cinquenta reais (ou mesmo de um!) num pátio de insanos. A briga vai ser feia.
* Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.
* O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda.
* Nunca tantos deveram tanto a tão porcos.
* Mordomia é ter tudo que o dinheiro - do contribuinte - pode comprar.
* Chama-se de herói o cara que não teve tempo de fugir.
* Infelicidade: Nascer com talento melódico numa época em que o pessoal só se interessa por percussão.
* A gente tem que experimentar de tudo. Desde que seja de graça e não doa muito.
* Calúnia na internet a gente tem que espalhar logo, porque sempre é mentira.
* Repito, mais uma vez: supremo eu só conheço o de frango.
* O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.
* Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.
* O preço da fidelidade é a eterna vigilância.
* Beber é mal. Mas é muito bom.
* Nunca conheci ninguém podre de rico. Mas já vi milhares de pessoas podres de podre.
* Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada.
* O capitalismo não perde por esperar. Em geral ganha 6% ao mês.
* Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada.
* Toda lei é boa desde que seja usada legalmente.
* Eu também não sou um homem livre. Mas muito poucos estiveram tão perto.
* Todo homem nasce original e morre plágio.

Millôr Fernandes (16 de agosto de 1923-27 de março de 2012), jornalista, cartunista, dramaturgo, ensaísta e escritor.

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