terça-feira, 10 de janeiro de 2012

INGRATIDÃO - CHORANDO DE BARRIGA CHEIA

Ontem recebi um cidadão revoltado, alegando que seu processo trabalhista estava demorando muito para ser resolvido.
Após fazer a consulta processual verifiquei o seguinte:
O cidadão estava acompanhado de advogado, mas me disse que não tinha informações por parte do causídico.
18 dias após o ajuizamento da ação foi designada audiência inaugural e na mesma a magistrada responsável pelo processo, recebeu a defesa, ouviu as partes e três testemunhas.
10 dias após o encerramento da instrução foi proferida a sentença de forma líquida.
A empresa recorreu ao Tribunal e 20 dias após o recebimento do processo no segundo grau, a Turma julgou o recurso e manteve a sentença.
6 dias após o trânsito em julgado os autos voltaram a Vara de origem, no dia seguinte ao recebimento, a magistrada mandou liberar ao cidadão o depósito recursal, após mandou atualizar os cálculos, abatendo o pago.
5 dias após, os cálculos foram homologados e se determinou penhora online.
Dias depois o cidadão recebeu outro valor, não o total da execução, pois não se conseguiu todo o importe via BacenJud. O cidadão já recebeu cerca de 80% do valor devido.
A juíza fez pesquisa na Receita Federal, Cartórios de Imóveis, Detran e outros meios e não encontrou bens em nome da empresa e determinou expedição de mandado de penhora, para se obter bens em sua sede.
Todo esse trâmite, aliás de ofício pela magistrada, pois o reclamante não colaborou com o juízo, indicando qualquer bem da empresa ou de seus sócios à penhora, ocorreu em menos de seis meses.
Disse-lhe que esse tempo era bem razoável, aliás bem célere e que a Vara de origem estava fazendo tudo que estava a seu alcance, que entrasse em contato com seu advogado, pois se houver bens, poderia indicar para abreviar a tramitação.
Mesmo assim o cidadão falou que quem ganha tudo na Justiça é quem tem dinheiro.
Nesse ponto encerrei a conversa, nada mais cabia falar ou explicar, mas o cidadão insistiu, disse que iria denunciar ao CNJ e a Ouvidoria do Tribunal.
Desejei-lhe boa sorte e lembrei de Oscar Wilde: "O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror."

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