segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Tráfico humano escraviza homossexuais

Aos 18 anos, Amanda* decidiu ir para São Paulo a fim de ganhar mais dinheiro como travesti, um negócio tão arriscado para quem entra quanto lucrativo para quem o explora. Quando botou os pés na sexta maior metrópole do planeta, Amanda já devia R$ 900 à cafetina que agenciou a viagem em Belém. Vítima do Tráfico de Seres Humanos (TSH) operado por uma rede profissional interestadual, ela tem uma outra visão dos fatos. 'Ninguém quer ficar em Belém. A maioria (dos travestis) tem este sonho de viajar, fazer uma economia para implantar próteses de silicone nos seios e no bumbum. O problema é que muitos não querem respeitar as regras e acabam querendo voltar', minimiza.

Na pensão para onde são enviados, moram 40 travestis, mais da metade paraenses e, entre eles, adolescentes de 16 e 17 anos. Os demais são do Maranhão (MA) e do Amapá (AP). Não se trata, porém, de uma república de jovens comandada por um travesti mais velho. A organização se baseia no comportamento. Todos os dias, cada garota paga R$ 20,00 das despesas com hospedagem. Alimentação, água e luz também são pagas com dinheiro de coleta comunitária. Quem ganha mais com os programas, paga mais, entre R$ 80,00 e R$ 100,00 ao mês.

Em uma projeção grosseira, a exploração sexual dos jovens rende no mínimo R$ 800 ao dia. Durante um mês, a cobradora pode embolsar R$ 24.800 somente com as diárias. Para sair de Belém, ninguém paga nada antes da viagem, mas fica uma dívida com a aliciadora em Belém, de R$ 600,00 em passagens aéreas, mais 'taxa de serviço' de R$ 300, equivalente a 50% sobre o valor inicial. Se cada vítima residente desta casa pagou o mesmo valor para ir até SP, os lucros da travesti que envia os jovens alcançam algo em torno de R$ 12 mil.

Fonte: O Liberal

* Disque 100, denuncie

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