terça-feira, 9 de agosto de 2011

HOMENS DE BEM NUNCA SÃO ESQUECIDOS - LEMBRANÇAS DO DR. ITAIR

Desde o final da semana passada uma pessoa não sai dos meus pensamentos, não sei a razão e nem sei se razão tem.
Trata-se de Itar Sá e Silva.
O Dr. Itair ingressou no TRT8 pela vaga dos advogados em outubro/1990 e quando passei no concurso de juiz, foi quem me deu posse em dezembro/1993, pois foi Presidente do Regional no biênio 1992/1994, tendo se aposentado em dezembro/1995, além de ter feito parte da banca do concurso, quando me arguiu na prova oral.
Nada é mais importante no início da nossa carreira termos uma palavra amiga, uma mão carinhosa e o Dr. Itair nunca me faltou.
Designou-se para ser auxiliar na Oitava Junta que tinha como Presidente a querida mestra Juíza Antonia Campos Serra e depois ficamos trabalhando no recesso em outra Junta que estava com várias sentenças em atraso.
Fui designado para assumir a Junta de Breves no período de 07/01/1994 a 05/03/1994, seria a minha primeira Presidência e estava empolgado com esse novo desafio.
No primeiro final de semana que fui a Belém, passei na sexta no Tribunal e o Dr. Itair soube e logo me chamou em seu gabinete.
Mal entrei em sua sala, com aquele vozeirão me disse que não deveria estar em Breves, pois juiz com minhas qualidades tinha que estar em Junta de maior movimento, falei, tudo bem Dr. Itair, sem problema, deixe pra lá, mas ele ficou gritando que isso era incabível. Fui a Breves, pois nossa turma na magistratura queria poupar as colegas magistradas dessas idas ao interior, pois tinham filhos pequenos e eu ainda não tinha filho. Ele aceitou os argumentos, mas disse: te prepara, quando voltares vais pegar no pesado.
Ao retornar fui designado para a Sexta Junta do querido amigo Jucá.
De vez em quando o Dr. Itair me chamava em seu gabinete e ficávamos conversando, sendo que em certas ocasiões ele me oferecia um pedaço de pão, com bastante manteiga, pois pessoa simples que era, esse era seu lanche. Uma vez brincou, esse pão com uma cerpinha ficaria muito melhor, apenas ri e continuamos a lanchar.
No início de agosto/1994 novamente o Dr. Itair me chamou em seu gabinete, mas aí estava com ar sério, até pensei, qual a besteira que fiz? As conversas com o Dr. Itair não tinham rodeios, subterfúgios, simulações, era um homem direto ao falar e ele falou: tenho uma missão pra ti, vais instalar a 12ª Junta de Belém, a juíza presidente tá doente e nem deve mais voltar a trabalhar. Fiquei pasmo, eu um juiz substituto com apenas sete meses na Justiça poderia instalar uma Junta em Belém! Disse-lhe que não me sentia preparado, que não tinha experiência, que era muita responsabilidade, enfim expus meus medos.
Dr. Itair nem me deixou terminar, falou, vai se tu mesmo e ponto. Tens capacidade, és uma menino inteligente e conto contigo. Mandou entrar a Dona Josefina, sua esposa e assessora e apenas falou: prepara tudo que o Zahlouth vai inaugurar a 12ª Junta.
E assim foi feito, no final de agosto/1994 lá estava eu, nervoso, mas confiante instalando a 12ª Junta de Belém em um prédio alugado, bem precário em frente ao Tribunal do outro lado da Praça Brasil e lá fiquei até o final do ano de 94. Foi sem dúvida o melhor aprendizado que tive, pois conheci por dentro como funciona uma Junta (hoje Vara), lições que guardo até hoje.
Depois que se aposentou tivemos poucos contatos, vindo o Dr. Itair a falecer no final de julho/2005.
Aquelas conversas que tive com o Dr. Itair, as oportunidades que me concedeu, o reconhecimento que me prestou, fizeram eu ser o que sou, fortaleceram-me como juiz e como pessoa.
O homem quer consegue ver o outro, merece ser lembrado, talvez eu tenha achado a razão do pensar no Dr. Itair.

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