quinta-feira, 26 de maio de 2011

A OAB-PA, o paletó, o pote e a rodilha






O casarão do Largo da Trindade se fechou no dia de ontem. Enclausurou-se lá o Conselho Regional da OAB-PA em uma reunião secreta, sem direito a ata. Para os anais da instituição, se assim foi procedido, a reunião não foi havida.
Como qualquer parede erguida no mundo, as do velho casarão têm ouvidos. E quem ouve fala: o ser humano tem a necessidade de transmitir mensagens da mesma forma que transmite genes.
O objeto da reunião foi a forma como Jarbas Vasconcelos vem agindo na presidência do Conselho, manifestando, em nome da instituição, posições que não são emanadas do colegiado.
Os conselheiros, em maioria, fizeram objeções à forma como a OAB-PA se tem conduzido no episódio envolvendo a Assembléia Legislativa: todos apoiam a apuração dos fatos, mas, discordam dos excessos cometidos pelo presidente Vasconcelos, como o fato de ele ter pregado a sumária prisão dos investigados, o que vai de encontro ao que cabe um advogado defender.
A maioria dos conselheiros também faz reservas ao uso da imagem da OAB-PA, emprestada pelo presidente, como ponta de lança na guerra que se trava entre os dois grupos de comunicação do Pará.
No caso da “Caminhada contra a corrupção”, convocada pela OAB-PA para o próximo sábado, 28, os conselheiros apóiam a medida, mas, condenam a forma como foi conduzida, que acabou liquidificando os interesses da instituição com conveniências externas: a OAB-PA não mais pode escapar da fatalidade de, pela equivocada condução do fato, fazer às vezes de montaria.
Este é um ponto de difícil sistematização. Atos públicos que visam visibilidade buscam quantidade: não importa a qualidade de quem se aglomera.
Inobstante, a maioria dos conselheiros considera não comparecer em um ato que louva honestidade, onde poderão estar misturados escribas e fariseus, formando um cordão contraditório: os bons samaritanos, nesta específica trilha, não se querem deixar patrocinar por aqueles que, eventualmente, não reúnem condições pessoais para destilar moralidade.
Acuado, o presidente Vasconcelos, como sempre faz nas ocasiões em que o torniquete aperta, ameaçou renunciar, o que é uma tática até hoje bem sucedida para dar tempo de enxugar o suor que lhe escorre à testa.
Começo a acreditar que o paletó de presidente da OAB-PA é muito grande para o advogado Jarbas Vasconcelos, ou ele conclui que o cargo lhe é um estorvo: quem dá o valor devido ao que carrega sobre os ombros, não ameaça sacudir-lhe ao chão nas ladeiras que se vão apresentando pelo caminho.
Ou, como diria o meu ido pai nestas ocasiões: “quem não pode com o pote não põe a mão na rodilha.”.

Postado por Parsifal Pontes

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