segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Capital paraense sofre com 51 pontos de alagamento


A chuva acende o sinal de alerta em Belém. A cidade tem 51 pontos de alagamentos. São trechos, a maioria deles em áreas centrais, com fluxo intenso de veículos, que ficam completamente inundados quando chove. O lixo despejado de forma irresponsável e uma rede de drenagem que não comporta nem metade do crescimento da cidade são as principais causas apontadas pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) para o problema. 'Com a rede pluvial acontece algo parecido com o que ocorreu com o trânsito da cidade. O número de veículos cresceu sem que as vias acompanhassem esse crescimento. A maior parte da nossa tubulação é antiga, foi assoreada e não suporta mais o volume de águas que recebe', explica a secretária Pilar Nogueira.

Ao lado da inadequação da rede de drenagem o principal problema é o lixo. Em Belém, boa parte dos resíduos produzidos nos domicílios vai parar nos 68 canais espalhados pela cidade e, dali, seguem para a tubulação que deveria escoar a água da chuva e suportar o volume das marés altas. Em quase todos os grandes centros urbanos, a obstrução de galerias, sarjetas e canaletas são as principais causas de alagamentos. 'O lixo é, sem sombra de dúvidas, o nosso maior problema. Todo ano desperdiçamos um recurso que poderia estar sendo investido em saúde, educação, para contornar os estragos provocados pelo lixo que é despejado irregularmente nas ruas', diz a secretária. Até o final deste mês, a Prefeitura deverá criar um departamento para fiscalizar as irregularidades e lançar uma campanha educativa para evitar que mais lixo vá parar nos canais e bueiros.

Sesan investe anualmente em operações de limpeza dos canais e redes pluviais e se depara com outro problema: a transformação irregular da rede em esgoto sanitário. 'Durante as manutenções, não é raro constatar que muitas pessoas quebram a tubulação para fazer ligação clandestina das fossas com a rede pluvial, que, é bom que se diga, não é esgoto. Por isso também o problema do mau cheiro nos canais', explica Pilar Nogueira.

Desde setembro, a ação de limpeza dos bueiros e drenagem dos canais foi intensificada. É a chamada 'Operação Inverno'. Até o momento, já foram recolhidas 20 mil toneladas de resíduos: computadores, sofás, fogões, geladeiras, colchões, pneus e até vaso sanitário. A medida, no entanto, nem sempre resolve o problema. 'É comum que, uma semana após a limpeza, a situação volte a ser o que era', diz a secretária.

A campanha que a prefeitura pretende lançar até o final do mês quer justamente chamar a atenção da população para o problema do lixo e sua relação direta com os alagamentos do inverno. 'Todo esse lixo vai parar na drenagem e impedir o escoamento da água da chuva', repete Pilar Nogueira.

Junto com a campanha, que inicialmente vai ter caráter educacional, a prefeitura está criando uma equipe de ordem pública, formada por agentes ambientais que devem fiscalizar uma infração já prevista no Código de Postura do Município, mas que quase nunca é respeitada: o despejo irregular de resíduos em áreas públicas. Quem for flagrado transgredindo a lei será multado em R$ 607,97. Os próprios moradores podem denunciar através do número 0800 726 1036.

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