sábado, 7 de novembro de 2009

Polícia deve investigar pancadaria em lançamento de livro sobre família Sarney





Tumulto ocorreu na sede do Sindicato dos Bancários, em São Luís.
‘Honoráveis bandidos’ aborda a trajetória política da família Sarney.

Robson Bonin
Do G1, em Brasília

O lançamento do livro "Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney", que estampa na capa a foto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acabou em pancadaria e "chuva" de cadeiras na noite de quarta-feira (4), em São Luís, no Maranhão. De autoria do jornalista Palmério Dória, a obra faz uma crítica à trajetória política de Sarney e também da sua família.
Um grupo de manifestantes interrompeu a apresentação do livro, que ocorreu na sede do Sindicato dos Bancários na capital maranhense, causando a confusão.O sindicato registrou a ocorrência no Plantão Central Beira-mar da Polícia Militar. O caso foi encaminhado ao 1º Distrito de Polícia de São Luís, que terá a missão de investigar o episódio.
"A gente soube pela imprensa da ocorrência, mas esse caso deve chegar para a gente na segunda-feira (9). Assim que chegar, isso vai ser investigado. Vamos apurar o dano às instalações do sindicato para identificar os supostos agressores e supostos mandantes", esclarece a delegada-adjunta Geórgia Pereira. Os responsáveis pelos delitos serão enquadrados pelos crimes contra o patrimônio e contra a honra.
"Eles vieram preparados para tumultuar. Entraram calados e depois começaram a confusão no momento em que seria apresentado um teatro", conta o coordenador administrativo do sindicato, Cordeiro Marques. Um vídeo com cinco minutos de duração mostra homens e mulheres trocando socos, chutes e empurrões. Há ainda uma “chuva” de cadeiras no auditório do sindicato.
O ex-governador do Maranhão Jackson Lago, que foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março deste ano, e o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) também participaram do evento que reuniu integrantes de oposição ao governo de Roseana Sarney (PMDB). O deputado lança a suspeita de que a ação foi coordenada por aliados do presidente do Senado.
"O Sarney convocou uma tropa-de-choque para evitar o lançamento do livro. O auditório estava lotado. Quando o autor começou a fazer o discurso falando do coronelismo dos Sarney, esses estudantes começaram a jogar ovos e pedras", conta o deputado. O G1 tentou localizar o ex-governador do Maranhão, mas não obteve retorno das ligações telefônicas. Questionado sobre o caso, o presidente do Senado, José Sarney, evitou fazer comentários: "Não estou interado sobre o assunto e não tenho como comentar."
A noite de autógrafos de Dória ocorreu na sede do sindicato, porque as livrarias do Maranhão se recusaram a lançar a obra, diz a Editora Geração Editorial, responsável pela publicação do livro. O autor também considera que a ação foi coordenada por aliados de Sarney. "Ele disse que não havia lido o livro", diz Dória, argumentando que as vendas aumentaram com o episódio: "Ele é um bom marqueteiro. Em três horas, autografei 560 livros."
Em nota, o Sindicato dos Bancários do Maranhão criticou a ação violenta. "O ato de vandalismo provocado por 10 a 15 baderneiros, quando da ocasião de lançamento do livro 'Honoráveis Bandidos' em nossa sede, relembra os tristes fatos históricos das décadas de 50 e 60 em nosso Estado, que acreditávamos sucumbidos. Naquela época, prevalecia no Maranhão a lei da força bruta, da intolerância, em que as diferenças eram resolvidas pela pancadaria", citou a nota.
O comunicado do sindicato afirma que cadeiras e uma porta da sede foram danificadas no tumulto. "A categoria bancária se sente violentada por ter itens de seu patrimônio, conquistado com a contribuição sindical de anos e de gerações de trabalhadores, destruído, quebrado (porta principal, cadeiras, quadro). O valor financeiro de uma nova porta para a entrada da sede de nossa entidade não nos entristece mais do que ver a instituição Sindicato dos Bancários do Maranhão, espaço democrático de tantas categorias, desrespeitada de forma desmedida pelos baderneiros."

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