segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Presidente da Infraero critica projeto de privatizar o Galeão, no Rio


Juliana Castro- Do UOL Notícias - No Rio de Janeiro

O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, disse nesta segunda-feira (3) ser contra a privatização individualizada de aeroportos e que, caso isto ocorra com o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, pode colocar o cargo à disposição."Se o caminho vai para esse lado, eu me sinto na obrigação de pôr o meu cargo à disposição. O governo vai ver o que quer, mas eu tenho a minha posição e não recuo dela porque acho que estou certo", afirmou Gaudenzi em entrevista coletiva após a assinatura do contrato para a realização de obras no terminal 2 do Galeão, que custarão cerca de R$ 63 milhões.
Até 2010, o custo da revitalização do Galeão é de R$ 600 milhões. Com isso, o governo espera aumentar a demanda para 20 milhões de passageiros por ano até 2014, o dobro do que o aeroporto recebeu no ano passado.
O presidente completou, no entanto, que o cargo estaria sempre à disposição, já que é uma nomeação do governo. Segundo ainda Gaudenzi, se os aeroportos maiores forem privatizados, o orçamento para administrar os menores seria comprometido e "desequilibrado". Assim, o governo ficaria com "um pires na mão" para conseguir dinheiro."Nós temos 67 aeroportos dentro de uma rede. Eu tenho cinco aeroportos rentáveis e certamente o Galeão está entre eles", disse o presidente da Infraero ao explicar que o lucro desses aeroportos ajuda na administração dos outros que não têm rentabilidade.O presidente da Infraero informou que cabe à empresa administrar os aeroportos e ao governo decidir sobre a privatização. "O que eu posso dizer é que há uma análise sobre o assunto [feita pelo BNDES]", afirmou. Como alternativa à privatização, Gaudenzi sugeriu o funcionamento da Infraero de forma semelhante à Petrobras, onde o governo toma as decisões, mas há capital privado. "Esse casamento do público e privado funciona bem", finalizou.PolêmicaA privatização do Aeroporto Tom Jobim tem sido alvo de declarações polêmicas. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, chegou a dizer na semana passada que o Galeão é "pior que rodoviária de quinta categoria" devido às condições do aeroporto.Cabral reclamou da infra-estrutura e afirmou que a operação precária do local é o principal obstáculo para a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016. O governador ressaltou ainda a nota 3,5 recebida pelo aeroporto na avaliação do Comitê Olímpico Internacional.O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, foi ao encontro desta segunda-feira e informou que Cabral segue em defesa da privatização. "O que o governador está defendendo é que o aeroporto tenha mais celeridade na tomada de decisões e agilidade no atendimento dos passageiros", disse. Ao ser perguntado sobre as críticas do governador, o presidente da Infraero desconversou e passou a falar das melhorias nas pistas do aeroporto.

Obras: Nesta segunda-feira, o presidente da Infraero assinou um contrato no valor de R$ 63 milhões para obras de conclusão do terminal 2. O local vai receber instalações hidrosanitárias e um sistema de combate a incêndio nas áreas desprovidas de acabamentos. A conclusão das obras no terminal 2 está prevista para fevereiro de 2010. No mesmo ano, o terminal 1 - que já passa por reparações emergenciais - deve ser desativado para obras.Até 2010, o custo da revitalização do aeroporto é de R$ 600 milhões - 50% proveniente do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e 50% de recursos da Infraero. Com isso, o governo espera aumentar a demanda para 20 milhões de passageiros por ano até 2014, o dobro do que o Galeão recebeu em 2007. Entre as obras emergenciais no terminal 1 estão: instalação dos novos monitores para o Sistema de Informação de Vôos, reforma de 43 sanitários, revitalização de todas as pontes de embarque e troca de elevadores e escadas rolantes. Já entre as obras que ainda serão iniciadas estão: o novo sistema de esteira de bagagens, as instalações elétricas e de ar condicionado e a adequação da atual área de operação do terminal 2.Gaudenzi foi questionado pelos jornalistas se as obras seriam suficientes para a melhoria do aeroporto. Ele disse que o local passou por "um esvaziamento", mas que, após as reparações no terminal 1, já pensa até na construção do terminal 3. "Nós temos capacidade de ter quatro terminais", finalizou.

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