sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Juízes devem evitar o “juridiquês” no trato com a imprensa

“Quando o magistrado fala, não é ele quem está se manifestando, mas o Estado. É preciso então ser muito claro, senão o que foi dito pode se voltar contra a instituição.” A advertência para se evitar o “juridiquês” no trato com os jornalistas, feita pelo ministro Guilherme Caputo Bastos, do Tribunal Superior do Trabalho, aos alunos do 6º Curso de Formação Inicial da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), durante a mesa-redonda “Relacionamento com a Sociedade e a Mídia”, realizada ontem (20). O ministro, que coordenou a mesa-redonda, lembrou que, em sua primeira experiência numa entrevista à TV Justiça, pediram-no que usasse expressões corriqueiras, que as pessoas comuns pudessem entender com facilidade. “Nunca esqueci a lição”, afirmou. Os dois outros palestrantes, os jornalistas Renato Parente, secretário de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal, e Madeleine Lacsko, coordenadora da Rádio Justiça, também destacaram a importância de se utilizar linguagem clara na comunicação dos fatos relacionados com a atividade judiciária. Experiente em rádio, Madeleine Lacsko explicou que, quando os juízes não traduzem os termos técnicos para o grande público, o profissional de imprensa poderá simplesmente não fazê-lo também, apenas repetir o que foi dito – e, portanto, a informação não será compreendida pelo destinatário. Outra hipótese é o próprio jornalista se encarregar de “traduzir” o “juridiquês”, e fazê-lo de forma errada. “O poder está sempre nas mãos do tradutor da informação”, disse ela, que sugeriu: “Pense que o senhor está explicando o assunto para seu avô ou para sua secretária, da forma que lhe convém.” Renato Parente recomendou aos novos juízes que busquem sempre o apoio da assessoria de comunicação social de seus Tribunais para lidar com a imprensa. Assessor de imprensa do TRT paulista à época do escândalo do Fórum Trabalhista de São Paulo, Parente afirmou que há estudos mostrando que a imagem do Tribunal, como órgão julgador, não saiu tão arranhada à época, porque a instituição trabalhou para separá-la da imagem do juiz Nicolau dos Santos Neto, condenado por corrupção. “Argumentamos junto aos órgãos de comunicação que há ex-governador, ex-prefeito, ex-tudo. Por que não ex-juiz?”, dissemos. “Eles acabaram acatando a argumentação, e isso fez diferença”, contou, lembrando que, quando as irregularidades ocorreram, Nicolau já estava aposentado e atuava na comissão de obras, mas não mais julgava. A Enamat é a primeira Escola Nacional de Magistratura instalada após a Reforma do Judiciário, de 2004. Instituída como unidade autônoma pelo TST em 2006, é responsável pela coordenação nacional dos cursos de formação de magistrados, obrigatórios para a efetivação dos novos juízes na Justiça do Trabalho. A administração atual da escola é composta pelos ministros Carlos Alberto Reis de Paula, diretor, e Antônio José de Barros Levenhagen, vice-diretor, e conta com assessoria de um Conselho Consultivo composto por ministros do TST e juízes de TRTs e de Varas do Trabalho.
(Fonte: Enamat)

Um comentário:

Cristina Nascimento da UGT-Pará disse...

Dr. Zahlout (é assim?)

Como é a primeira vez que estou por aqui... palpitando rsrsrs...

Acho justo registrar a contribuição deste espaço para o movimento sindical, bem... falo pelo o qual atuou: a UGT.

Mas, encorajo-me para... na verdade não se trata de um comentário ao post, mas ao que ele remeteu-me: hoje, numa palestra do I Congresso Brasileiro de Enfrentamento às Violências Sexuais contra Crianças e Adolescentes, ouvi de um advogado, assessor do CONANDA que "é necessário profanar o direito", no sentido de delvolver ao povo o que (justiça, ou imagino princípios jurídicos) que foi "consagrado"!

O que o Sr. pensa disso?

Para saber mais sobre o evento: síio www.cbe-vista.org.br

e pelo blog htpp://cbevisca.blogspot.com

é isso...

com admiração e respeito
saudações ugetistas


Cristina Nascimento