sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Acionistas aprovam venda da Unama

BELÉM (PA) - Primeira universidade nacional com sede no Norte do país e a única da região a operar em todos os Estados brasileiros, inclusive no Distrito Federal, a Unama, Universidade da Amazônia, vai mudar de mãos. Em reunião de acionistas e diretores, realizada no final da tarde de ontem, a maioria decidiu pela venda da instituição. Principal mentor e criador do que é hoje um dos maiores complexos educacionais privados do país, com mais de 20 mil alunos matriculados, nos cursos de graduação e pós-graudação (mestrado), o reitor Edson Franco mostrou sua discordância com a decisão, apresentando de pronto sua renúncia ao cargo. Mais tarde, por telefone, Edson Franco explicou que vai permanecer por enquanto na sociedade, mas preferiu deixar a Reitoria porque não gostaria de participar da venda.
A história vitoriosa da Unama, tal como se conhece hoje, começou nos idos de 1974, quando foram criados em Belém, ao mesmo tempo, o Cesep (Centro de Estudos Superiores do Estado do Pará), e as Faculdades Integradas Colégio Moderno. As duas instituições nasceram juntas e juntas escreveram os primeiros capítulos do que viria a ser a maior universidade privada da Amazônia.
O processo de unificação do Cesep e das Faculdades Integradas Colégio Moderno, que já vinha avançando progressivamente, se consumou em 1991, ganhando personalidade jurídica com o nome de Unespa – União das Escolas Superiores do Pará. Mas também a Unespa teve vida curta. Decorridos apenas dois anos, ela ganhou em 1993 a sua denominação atual – Unama –, ao receber do Ministério da Educação o tão sonhado credenciamento que lhe deu o status de primeira universidade privada da Amazônia.
Com uma história de tanto sucesso, era natural que a Universidade da Amazônia passasse a despertar o interesse de grandes corporações, do Brasil e do exterior. Ontem, Edson Franco confirmou que a instituição vinha sofrendo, já há algum tempo, assédio constante, tanto de grupos nacionais quanto internacionais.
O ex-reitor da Unama não confirmou, mas fontes ligadas à instituição revelaram que existem pelo menos três propostas de compra da universidade, sendo uma delas de um grupo norte-americano. O informante observou que há hoje a tendência da compra das instituições de ensino superior de porte menor pelas grandes corporações do setor. “Isso já está acontecendo em todo o Brasil”, assinalou.
Edson Franco renuncia e reafirma posição contrária
Os profissionais do setor que se mantêm em estreita sintonia com a realidade do mercado consideram natural a cobiça pela Unama, que vinha se manifestando ultimamente com crescente intensidade. Primeiro pelo fato de já ter a instituição o status de universidade, mantendo cursos nas quatro áreas de ensino e contando com o maior número de alunos matriculados entre as instituições privadas na Amazônia, perto de vinte mil estudantes.
Eles também apontam a estrutura da Unama como objeto natural de interesse, já que ela é ao mesmo tempo sólida, moderna e funcional. Não só pelos quatro campi mantidos pela universidade em Belém, mas também pela sua estrutura de ensino à distância, hoje reconhecida pelo seu nível de excelência em todo o Brasil.
Uma fonte muito bem relacionada na Unama observou ainda, ontem à noite, que outros fatores acabaram provavelmente pesando na decisão favorável à venda, tomada pela maioria de seus acionistas e diretores. Segundo ele, o crescimento da instituição trouxe como efeito indesejado um fracionamento maior de suas instâncias de decisão.
A conseqüência disso foi o aparecimento de nichos de poder, espécies de feudos corporativos que deram origem a atritos internos e a crescentes embaraços administrativos. Esses problemas poderiam ser minimizados em outras circunstâncias, mas não tanto, presume-se, sob o comando de um reitor já com idade relativamente avançada e em condições de saúde que não o credenciam exatamente como mediador de conflitos.
O professor Edson Franco, um educador e intelectual de méritos reconhecidos, não faz, porém, nenhuma referência a esses supostos problemas. “Na hora em que houve uma manifestação muito clara da possibilidade de venda, minha prudência me recomendou a deixar o campo livre. Eu me sinto compelido a dizer publicamente que não concordo com isso”, disse ao DIÁRIO. (Diário do Pará)

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