quinta-feira, 19 de junho de 2008

O mito faz 64 anos hoje

Edição de 19/06/2008 - O LIBERAL

Chico Buarque de Hollanda já passou ao inconsciente coletivo como aquele que conseguiu traduzir uma identidade nacional
EDUARDO ROCHA - Da Redação
O aniversariante de hoje sabe como ninguém abordar a realidade dos brasileiros, sem perder sua identidade. Ao contrário, consegue ser ao mesmo tempo original e um catalisador do que a música brasileira teve e tem de melhor. Aos 64 anos que completa hoje, o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda mostra-se como um artista multifacetado, com um talento que se esparrama pela música, literatura, teatro e como torcedor do Fluminense (RJ) em plena expectativa pela disputa do título inédito da Copa Libertadores da América. Mas, como aponta o mestre paraense em Teoria Literária, Sérgio Sapucahy, 'o Chico são muitos chicos', ou seja, Chico Buarque revela todos os lados de brasileiros e brasileiras, e, por opção própria, mistura-se na população nacional como um anônimo observador, para emergir como um artífice da palavra poética da mais pura luminosidade.
Falar sobre Chico Buarque não é nada fácil, como assinala Sérgio Sapucahy, porque esse artista é uma unanimidade, e toda unanimidade costuma ser perigosa, lembra o professor, numa alusão a dito imortal do dramaturgo Nélson Rodrigues. 'O Chico é um poeta maiúsculo, porque a palavra em toda a obra dele, desde ‘Pedro Pedreiro’, é poética, e ele sabe trabalhá-la como poucos'. Quando Chico Buarque surge no cenário da Música Popular Brasileira, afirma Sapucahy, ele retoma uma vereda da arte popular, ou seja, da arte que nasce com o povo, e dá continuidade a um trabalho desenvolvido nessa linha por não mais nem menos que Noel Rosa, o poeta da Vila.
Chico e Noel Rosa têm aspectos muito próximos, como o fato de que Noel estudou Medicina e Chico, Arquitetura. 'Eles tiveram essa formação universitária, ainda que não tenham concluído os respectivos cursos, porque foram absorvidos pela arte. O olhar do Chico dá seqüência ao do Noel e outros compositores bem mais populares, como fica evidente no Chico sambista'. Esse Chico sambista pemeia a obra do compositor, desde os primórdios, quando o compositor fez o Brasil inteiro cantar canções como 'Olê, Olá'. 'Na fase mais política, a gente tem o ‘Vai Passar’'.

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